Blog do Rodrigo Westarb

O enigma chamado Joannes Josephus Ernser

Joannes Josephus Ernser

Hoje na coluna Cultura, será feito algumas revelações até então desconhecidas pelos Riomafrenses, sobre uma das figuras mais importantes da nossa região, o alemão Joannes Josephus Ernser ou simplesmente “Conego José Ernser”, pessoa que eternizou sua história na ascensão e desenvolvimento das cidades por onde passou. Abaixo, segue um breve resumo dos traços biográficos do escritor Ludwig Steinbach, traduzido do alemão para o português.

Ernser nasceu 10 de março de 1871 em Euren, Trier na Alemanha. Quando jovem, através de um estudo prolongado que iniciou na casa missionária em Steyl, onde permaneceu durante três anos, para depois continuar seus estudos ginasiais em São Gabriel, próximo ao bairro de Moedling em Vienna na Áustria. Concluiu Filosofia na universidade de Innsbruck, no alto Tirol, também na Áustria. Estudou teologia em Brixen (sul do Tirol, Áustria), e concluiu em Londres (Reino Unido), no instituto Mill Hill, após três anos.

Foi então no dia 15 de outubro de 1898 Ernser partiu do Porto da Antuérpia na Bélgica, para o Sul do Brasil. A cúria episcopal de Curitiba, nomeou como coadjutor da enorme paróquia de Joinville, no estado de Santa Catarina, onde trabalhava a várias décadas o Pe. Karl Boergershausen. Joinville na época era uma cidadezinha bonita, entre seus 8.000 habitantes, a maioria era alemã. Pela região extensa de Joinville, passava só uma rua, construída por uma companhia de colonização de Hamburgo para qual o Governo Imperial brasileiro havia liberado dinheiro necessário para a construção. Durante três anos durou a sua capelania em Joinville. E a atuação de Ernser as regiões de São Bento e Campo Alegre foram separadas da paróquia de Joinville e instalada a paróquia de São Bento do Sul, cujo primeiro coadjutor foi até então, Ernser.

Num outeiro do centro da cidade de São Bento do Sul, Ernser gerenciou a construção de uma Igreja ampla e arejada, uma escola e uma casa paroquial. Quando a Igreja ainda não estava bem terminada, 19 de março de 1903, Ernser foi nomeado vigário de Rio Negro, uma importante paróquia vizinha, já no estado do Paraná. Está nomeação foi simultaneamente uma promoção do Clero.

 

Jubileu 30 anos de Ernser

Em Rio Negro que é três vezes maior como em população e em superfície do que São Bento do Sul, Ernser começou a desenvolver intensa atividade. Apesar de Rio Negro já ter diversas escolas, uma alemã protestante, uma alemã não confessional, uma escola Adventista e duas escolas estaduais sem ensino religioso, sentiu-se a falta de uma escola católica.

Foi então que Ernser fundou uma escola católica (atualmente colégio Bom Jesus), chamou para a mesma, as Irmãs da divina providencia de Müenster, Westhapalia – Alemanha. Ele fundou também outra escola também em Mafra, situada à margem esquerda do rio Negro.

Ernser trabalhou incansavelmente na concretização de novos planos, disse aos paroquianos: “Eu quero construir uma igreja para vocês, cuja a torre será três vezes mais alta que a atual. Está Igreja será equipada com utensílios vindos da Alemanha.

Com esforços ingentes, Ernser – Arquiteto concluiu a construção da Igreja Bom Jesus da coluna de Rio Negro, foi pintada por alemães sendo uma das maiores do estado do Paraná. Sob sua direção e orientação, foi construída a Igreja de Mafra-SC inaugurada solenemente em 1929.

Em 1919 Ernser havia sido nomeado decano e em 1923 conselheiro, em 1926, Conego. Por incumbência do bispo de Florianópolis, em 1927, com todas as plenipotências de Roma, ele assumiu viagens de visitação em Joinville. Sempre em contato e um bom relacionamento com o Governo da Alemanha, ele mesmo foi durante décadas administrador de negócios dos cônsules alemães de Curitiba, Florianópolis e Joinville. Percebe-se a grande admiração da Alemanha pelos serviços prestados ao Brasil. Foi então que o Governo alemão queria obter para ele em Roma, altas distinções eclesiásticas, um empreendimento que Ernser rejeitou.

Antiga Igreja Bom Jesus de Rio Negro

Para a comemoração do Jubileu de seus 30 anos, o Cônego Ernser recebeu no dia 26 de março de 1933, do Ministério do Exterior de Berlim, como diplomacia, um quadro da Galeria do Estado de pinturas de Berlim, uma pintura do renomado pintor Lucas Von Cranach, o quadro: “Repouso da fuga para o Egito” de 1504. Este quadro, precioso traz a seguinte inscrição em uma chapa em sua moldura:

“Ao Conego Ernser, vigário de Rio Negro, em reconhecimento aos seus méritos na cultura católica alemã no Brasil. Ministério do exterior de Berlim, março de 1933… ”

Um dos enigmas mais contundentes da valiosa biografia de Ernser, era sobre o quadro do famoso pintor alemão Cranach, que poderia estar em posse de minha família, já que meu falecido avô, José Francisco Westarb era afilhado do Conego Ernser. Após buscas e pesquisas, o famoso quadro foi localizado no ano passado na Galeria de Artes de Berlim, já em posse da República Federativa da Alemanha.

Toda essa incrível e curiosa história foi revelada a alguns anos atrás pela então professora Norma Maria do Valle, filha do falecido ex-prefeito de Rio Negro, Maximiado Pfeffer e da Comendadora Anselma Pfeffer, então prima de José F. Westarb.

Desde então nossas famílias aprofundam pesquisas e curiosidades sobre essa grande figura, que orgulhosamente fez muito pela região. Ernser amou nossa terra e lutou bravamente pelo desenvolvimento da educação até seu último dia de vida.

Sempre ele será lembrado!

Compadres de Ernser – Antonio Westarb e Elsa Kreibich Westarb

 

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  • Parabéns pela brilhante reportagem. Sempre admirei este missionário pioneiro, que tanto fez por São Bento e por Rio Negro. Se necessitar de alguma pesquisa em Trier ou Berlim, avise-me. De vez em quando dou uma passada por lá.

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