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12 anos da Lei Maria da Penha – A dependência que dói na pele

Essa semana no dia 7 de agosto “comemorou-se” 12 anos que a Lei Maria da Penha entrou em vigor. Fato que me fez pensar o que temos como efetivo resultado trazido por tal legislação?

 

Estatísticas mostram que a violência contra a mulher cresceu na última década, dai, pergunta-se qual o real problema? Falta de legislação adequada não é mais o caso, inclusive após a Lei Maria da Penha, em 2015 aparece a figura jurídica do Feminicidio , ou seja, passa-se a amparar a mulher pelo simples fato de ser do gênero feminino.

 

Quando trato o assunto dessa maneira é para demonstrar que é bonito mostrar interesse pelo “sexo frágil”, mas a eficácia dessas legislações deixam a desejar, podendo ser observado quando estudos demonstram que uma mulher é agredida a cada  menos de um minuto, no Brasil, quando o índice de homicídios contra mulher (incluindo feminicídio) cresceram mais de 40% na última década, ou ainda, quando conforme levantamento do Tribunal de Justiça de Santa Catarina a cidade de Mafra, nossa cidade, é a que apresenta maior índice de violência contra a mulher dentro do Estado.

 

Mas o fato mais relevante é que a grande maioria conhece uma mulher que já foi agredida no ambiente familiar, ou mais exatamente por maridos, companheiros, namorados, e o que fizeram a respeito?! Nada.

 

Pode-se pegar como exemplo o caso da advogada que foi jogada do quarto andar de um prédio na cidade de Guarapuava a duas semanas, quais foram os questionamentos que surgiram, “porque ela não fugiu”, “porque ficava em um relacionamento abusivo”, “porque não contou para ninguém”, mas poucas foram as pessoas que tentaram colocar-se no lugar dela, tentar imaginar o que se passava na vida dela, quais os motivos que a levaram suportar tamanha dor.

 

Pois então vamos a algumas sugestões… Ela era dependente desta relação, e quando falo dependente falo emocionalmente, a maioria das mulheres que sofrem violência doméstica são dependentes daquele relacionamento, seja emocional, seja financeira ou seja psicologicamente, e a grande maioria só se dá conta disso quando consegue sair da relação abusiva.

 

Mulheres dependentes não veem outra saída, acham que a dor, os hematomas e o sofrimento são necessários, para manter aquele relacionamento (acreditam que não encontrarão mais ninguém na vida delas, que não podem se sustentar sozinhas ou o que considero o pior, tem medo que o agressor transfira a violência as outras pessoas da família caso ela queira sair da relação, filhos, pais, parentes). A partir do momento que as pessoas passarem a entender essas vítimas, vão parar de julgar, ou tentar encontrar alternativas, que pra vítima não existem.

 

Não existe um estereótipo para ser vítima de violência doméstica, feia, bonita, gorda ou magra, rica ou pobre, então quando a violência vier a tona, não julgue, não pergunte porquê, apenas apoie, deixe chorar, deixe sentir ódio, só não finja que nada aconteceu. Quem sofre violência lembrará sempre as palavras, as surras, as dores e terá que superar, mas dificilmente irá esquecer.

 

E se o que a população, a polícia, o judiciário e o governo quer é a diminuição dos índices de violência, apliquem a lei, quando a vítima tiver medida protetiva não admitam que seja quebrada, quando o agressor já tiver outros boletins de ocorrência registrados contra ele, não o deixem solto, quando o processo estiver correndo não aceitem artimanhas processuais, não se deixem levar por cultura ou terno e gravata, os piores agressores não deixam transparecer, são sociopatas natos.

 

Rogo pelo dia em que não verei mais mulheres usando maquiagens fortes, ou dizendo que se bateram no armário em casa, que quando criarem coragem de se desvencilhar dessa relação terão amparo e segurança, terão a certeza de que o sofrimento que passaram não voltará a acontecer, nem com elas nem com outras vítimas, e não passarão o resto dos seus dias fugindo do seu passado e com medo de se deparar na rua a qualquer momento com seu maior pesadelo.

 

Chega de falácias, não quero falsos profetas se compadecendo sobre cadáveres, que cairão no esquecimento, passando a compor apenas mais um número nas estatísticas, pois as que conseguem se safar nem todas transformam a dor em força para escrever um artigo e pedir justiça.

 

Por Fernanda Cristina Koschinski

 

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