Opinião

Evite a contramão

Fora os leões para matar que todos os dias a vida adulta me apresenta, convivo com um deles que tem sido especialmente incômodo, é pequenino e quase não me faz mal, mas sigo na luta para eliminá-lo, inclusive, escrevendo este texto.

 

Depois de deixar as filhas na escola, logo depois de entrar no carro, colocar o cinto de segurança, acender a luz baixa e dar partida no motor, logo o vejo: um motorista descendo na contramão. Explico: a rua da escola das minhas filhas é pequena, tranqüila, com poucas casas e alguns carros estacionados. Mas a quadra é de mão única e todos os dias – repito: todos os dias – vejo algum motorista infringindo a lei, contrariando a orientação da placa de trânsito instalada e descendo aquela bendita quadra na contramão.

 

Há alguns meses, minha luta consiste em manter o carro em baixa velocidade, dar o sinal de luz alta, parar do lado do carro, abrir a janela e comunicar, gentilmente, ao motorista infrator a regra básica que vale ali. Todos sorriem amarelo, mencionam que não sabem, pedem desculpa (não é à mim que a devem, mas sim à sociedade) e, para minha surpresa, insistem no erro.

 

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Até hoje, ninguém deu a ré e fez a volta. Absolutamente todos os motoristas que abordei seguem no sentido contrário da via. Seguem na contramão. Seguem infringindo uma regra básica. Seguem contrários à legislação de trânsito. Seguem suas vidas, normalmente. Afinal, diriam alguns: “é só uma quadra”, “é rapidinho”, “é só um minutinho”. Ou poderiam me dizer: “mas, moça, com tanto problema sério nesse mundo você perde tempo, saliva e saúde mental com um problema tão pequeno?”.

 

Bom, façamos as contas: Mafra tem 52.192 habitantes, como informa o IBGE. De acordo com o Detran, em 2018, são 39.242 veículos registrados no município. Isso significa que há 1 veículo para 1,3 pessoa. Só nesse ano, em 2018, já foram registrados 506 acidentes de trânsito com e sem vítimas, de acordo com a Polícia Militar de Mafra. Ou seja, o problema é pequeno, mas a conseqüência é grande: cerca de 1,6 ocorrência de trânsito por dia em uma cidade pequena. Ou seja, todos os dias, em Mafra, há pelo menos um acidente com veículos nas ruas da cidade.

 

Por isso e pelas duas meninas pequenas que deixo na porta da escola todos os dias e também pelos colegas delas, acredito que vale o esforço pela mudança. O problema é emblemático. Você anda uma quadra na contramão, mais para frente vai esquecer-se de dar a seta, depois vai ultrapassar em local proibido, jamais parará na faixa de pedestres. Claro que ninguém está imune dos acidentes (eu mesma, infelizmente, faço parte das estatísticas deste ano), mas é nosso dever primordial, como adultos e motoristas, fazer o máximo para evitá-los. Senão, de nada adianta bradar em vão por um mundo melhor. Não ande na contramão, dê seta, deixe o carro da frente fazer uma baliza, sair da vaga, pare na faixa de pedestres e respeite a velocidade indicada para a via e faça, começando pelo trânsito, a sociedade melhor que todos queremos.

 

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