Fatos e Versões

As reflexões da tragédia de Brumadinho

Após o rompimento da barragem de Brumadinho, foram levantados inúmeros questionamentos sobre a fiscalização de barragens no Brasil, lembrando que a tragédia de Mariana ainda está viva entre nós.

 

Recentemente, um viaduto em São Paulo “desceu” um metro, o que vem a levantar suspeitas sobre a competência dos órgãos nas fiscalizações. A represa de Volta Grande arrebentou numa enchente em 83/84, mas não provocou um grande impacto, ainda que uns desavisados alardearam que o volume de água que desceu foi responsável pelo alagamento de cidades do Planalto Norte.

 

Temos em Mafra, a usina de São Lourenço, que até onde eu sei, a responsável é a Celesc, salvo melhor juízo. Tem fiscalização? Sob o rio São Lourenço, temos uma ponte, que juntamente com a do Rio da Areia (BR-280) trafegam diariamente mais de dez caminhões contêineres, além de caminhões de tora (Romeu e Julieta). Essas pontes foram projetadas para esse número de caminhões e suas cargas? Esse raciocínio vale para a Ponte dos Peixinhos que separa Mafra de Rio Negro (BR 116). E o que dizer da ponte Rodrigo Ajace e seu fluxo de veículos diariamente (difícil quantificar esse número) e que sofreu as intempéries de três grandes enchentes? Quem fiscaliza? Há manutenção preventiva?

 

Como sempre, as autoridades só se mexem pós-tragédia. Aliás, Brumadinho não se trata nem de tragédia, mas sim de crime ambiental. Ressalvo que o presidente Bolsonaro quer flexibilizar os crimes ambientais, reduzindo o poder de fiscalização do Ibama, alegando que virou uma fábrica de multas. Não custa lembrar, que o presidente foi multado em área proibida (pescando em Angra dos Reis) e assim que assumiu a multa, “sumiu”.

 

No estado, a Polícia Ambiental de Santa Catarina está de parabéns pela atuação, mas historicamente, faço críticas à IMA (Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina – antiga FATMA) pelo seu viés político. Aliás, quem não se lembra de um antigo coordenador da FATMA aqui da região que foi levado preso num helicóptero da PF? Belo exemplo!

 

Em 1985, fui chamado para uma reunião emergencial sobre a possibilidade de um produto tóxico (pentaclorofenol) adentrar Rio Negro, através do transporte legal por rodovias catarinenses, sendo que o órgão SUREHMA (Superitendência de Recursos Hídricos e Meio Ambiente) proibia o seu transporte em rodovias catarinenses. Lembro de uma denúncia naquela época de que uma marca de lápis (fato ou ficção?) tratava a madeira com esse produto. Em pensar que há crianças que roem a ponta do lápis. Talvez tenha sido a primeira mobilização pelo meio ambiente em Rio Negro.

 

E mais recentemente, a Polícia Federal atuou numa mineradora em Mafra. De acordo com a PF, as investigações começaram em 2015, após uma fiscalização realizada pelo DNPM. Foram constatados indícios de extração sem as devidas licenças. Os peritos criminais federais também atestaram que a lavra atingiu uma área de preservação permanente. Além disso, foram extraídos ilegalmente cerca de 97 mil metros cúbicos de areia, o que representa um valor superior a R$ 4 milhões. Será que o IMA não foi avisado para uma operação coletiva? O que dizer do Parque do Passo, vulnerável à ação de caçadores e seus cães que burlam a lei? Há fiscalização? Muitas perguntas e poucas respostas…

 

– Continua após a publicidade –

 

VER PRIMEIRO

Agora, que tal seguir o nosso Instagram, Twitter ou curtir a nossa página no Facebook? Para que você possa continuar acompanhando os melhores posts sobre Rio Negro e Mafra, diariamente, em suas redes sociais.