Dica de português

A arte de escrever (lógica)

Muitas das falhas mais comuns na redação diária – erros de gramática, uso ou estilo – podem ser atribuídas à mera falta de concentração. Quando o problema é apontado, o escritor reconhece e corrige o erro, e em geral o justifica, afirmando: “Eu não estava prestando atenção”.

 

Mesmo o escritor experiente, que se depara a todo momento com as dificuldades e armadilhas da língua, pode cometer erros se perder a concentração. O escritor inexperiente corre ainda mais riscos. A menor falta de atenção provavelmente resultará em falha lógica, incorreção gramatical ou inadequação estilística. A vigilância e o cuidado ao escrever é a solução para este problema.

 

A lógica nos textos

A importância da lógica para os escritores não se restringe à gramática propriamente dita e ao uso. Funciona como um parâmetro para o conteúdo também – a consistência das ideias expressas, a ordem na qual são apresentadas e a validade das relações entre elas.

 

Falsos contrastes e saltos de lógica: os vocábulos mas e embora são conjunções extremamente usadas e muito comuns em nosso cotidiano. Talvez por esses motivos, o escritor descuidado as emprega com frequência excessiva e em circunstâncias em que são desnecessárias ou, até mesmo, incorretas. Nos seus significados usuais, indicam algum tipo de oposição – uma contradição ou limitação de uma ideia próxima.

 

Exemplo:

  • Tentei chegar cedo, mas não consegui.
  • Embora estude muito, ela continua a tirar notas baixas.

 

O texto produzido com descuido desvia – se dessa exigência de que haja duas assertivas opostas. Ou se estabelece um “falso contraste” – não verdadeiramente uma oposição entre as ideias, porém duas ideias apenas distintas ou a segunda ideia fica completamente desprovida de propriedade.

 

Vamos analisar duas situações:

  • Ele trapaceou seus colegas engenhosamente durante anos, mas eles nunca perceberam.
  • A equipe vermelha ganhou no final, mas a azul veio em segundo.

 

A oração (a) apresenta um falso contraste. As duas ideias unidas pela palavra mas estão em harmonia, e não em conflito: como a fraude foi engenhosa, não é de surpreender que os colegas jamais a tenham descoberto. Nesta oração as conjunções e ou assim fariam mais sentido do que a conjunção mas.

 

Na oração (b), a palavra mas não está propriamente errada, apenas confunde o leitor. Sua presença deve ter algum propósito. No entanto parece faltar um elo no raciocínio.

 

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