Fatos e Versões

Feminicídio, homofobia, racismo, pedofilia: sociedade em crise

Feminicídio, homofobia, racismo, pedofilia. Estes temas vêm sendo amplamente discutidos no Brasil, face aos números assustadores que a mídia trouxe ao conhecimento. Casos recorrentes de feminicídio no Brasil estão sendo denunciados. Mulheres estão sendo vítimas por seus cônjuges, namorados, ex, pais e irmãos. São mortes absurdas que denigrem os valores humanos.

 

Lembro que na década de 70, uma senhora, próxima da terceira idade, foi assassinada brutalmente na estrada de Pirambeira de Cima, em Rio Negro por sete (deve ser esse número) rapazes, tendo seu corpo mutilado e arremessado pirambeira abaixo. O crime hediondo foi de pouca repercussão na época.

 

Recentemente, tivemos o caso de uma paisagista de 55 anos que foi agredida por quatro horas por um bacharel em Direito, no Rio de Janeiro. Em Rio Negro e Mafra, também temos exemplos. Pesquisa revela que 536 mulheres foram agredidas por hora em 2018. Segundo o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 52% das vítimas não buscaram apoio de família, amigos ou autoridades após sofrer a violência. As agressões ocorrem de diferentes formas. De acordo com o estudo, 12,5 milhões de mulheres sofreram ofensas verbais, como insulto, humilhação ou xingamento, 4,6 milhões (nove por minuto) foram tocadas ou agredidas fisicamente por motivos sexuais e 1,6 milhão (três por minuto) sofreram tentativas de espancamento ou estrangulamento.

 

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A  LGBTfobia é normalmente usado como sinônimo para se referir ao ódio à população LGBT: a homofobia.  Tecnicamente, essa expressão refere-se apenas à hostilidade direcionada a homossexuais – lésbicas e gays –, mas o termo se popularizou e é utilizado amplamente.  Assim, podemos definir  a homofobia como o “ato ou manifestação de ódio ou rejeição a homossexuais, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais”.

 

Estes números também vêm aumentando no Brasil, como se houvesse um sentimento de impunidade.  Entre os termos, destacam-se: Bifobia (descreve a aversão ou a discriminação contra bissexuais); Lesbofobia (refere-se exclusivamente ao preconceito e a violência contra mulheres lésbicas); Gayfobia (refere-se exclusivamente ao preconceito e violência contra homens gays); e Transfobia (termo utilizado para classificar atitudes ou sentimentos negativos e/ou violentos contra pessoas trans, o que inclui travestis, transexuais e transgêneros).

 

Em Rio Negro, uma travesti foi assassinada brutalmente num posto de gasolina em ruínas. Há mais um caso que tornou-se público em Riomafra. Na internet, encontram-se publicações de inúmeros casos semelhantes. O Brasil registrou 445 casos de assassinatos de homossexuais em 2017, segundo o levantamento do Grupo Gay da Bahia. De acordo com a ONG Transgender Europe, entre 2008 e junho de 2016, 868 travestis e transexuais perderam a vida de forma violenta.

 

Quanto à pedofilia, a Polícia Federal auspiciada por outras frentes de combate, vêm prendendo inúmeros pedófilos no Brasil, sendo que a maioria age nas redes sociais. Em Rio Negro e Mafra, muitas pessoas que se dizem de “bem”, sabiam que havia nas duas cidades autoridades, políticos, e outros profissionais pedófilos, mas que nunca foram denunciados – tamanha a hipocrisia! E a igreja (de forma geral) também tem seus pecados em relação à pedofilia. Recomendo assistir ao filme “A Culpa” de Philip Seymour Hoffman, que trata do assunto.

 

No que concerne ao “ataque aos “gays” – hoje há uma cultura de violência, mas insisto em dizer que quem agride gays, segundo o psicanalista Freud, há dentro de si um gay “enrustido” ou um problema sexual mal resolvido. Tive (tenho) amigos homossexuais de ambos os sexos, pessoas maravilhosas que agora estão saindo do “armário”. Mas nem sempre foi assim. Nos anos 70/80, assisti agressões físicas e práticas de bullying para com homossexuais em Riomafra, incluindo no quartel em Brasília.

 

Assisti, com revolta de não poder fazer nada aos alunos de minha escola sendo agredidos e sofrendo assédio. Tive em Rio Negro, professores gays que não se assumiam com medo de uma sociedade conservadora e de perderem seus empregos. Alguns morreram, com o sentimento de culpa e de não ter conseguido dizer às pessoas que amavam o que realmente eram.

 

No Brasil, alguns pseudopastores e falsos psicólogos defendem a cura gay, que não tem nenhum embasamento científico. Há um filme chamado “Boy Erased” que está sendo boicotado no Brasil, cuja trama conta a história do jovem gay Jared Eamons (Lucas Hedges), filho de Marshall Eamons (Russell Crowe), pastor de uma cidade conservadora do Arkansas, e da religiosa Nancy Eamons (Nicole Kidman). Segundo sinopse divulgada pela própria Universal, em dezembro de 2018, “quando confrontado pela família sobre sua sexualidade, o personagem se vê pressionado a escolher entre perder seus familiares e amigos ou se submeter a um programa de terapia que busca a ‘cura’ da homossexualidade”. Não podemos deixar de referenciar Alan Turing, ateu e homossexual, pai da ciência da computação, que se suicidou quando lhe foi imposta a “castração química.

 

Em um discurso constrangedor durante a nomeação das novas autoridades da hidrelétrica de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se desfez em elogios ao ditador Alfredo Stroessner, o homem que controlou o Paraguai entre 1954 e 1989. Stroessner, elogiado por Jair Bolsonaro, era corrupto e estuprava meninas.

 

Ainda não se sabe se foi por ignorância, desonestidade ou falta de caráter, mas o presidente Jair Bolsonaro elogiou publicamente um estimulador do narcotráfico e pedófilo em série, que dedicava-se a estuprar meninas virgens.

 

Não podemos esquecer também do racismo no Brasil, com implicações em Rio Negro e Mafra. Tais temas tratados neste artigo são amplos e merecem uma abordagem mais aprofundada. Porém, o que está sendo explanado aqui é para que possamos refletir sobre à intolerância diante do que estamos assistindo a cada dia. Para encerrar, me reporto ao líder estadunidense Martin Luther King que deixou essa mensagem: “O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas”.

 

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