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Pedrinho e o senhor Clodoaldo

Pedrinho de 15 anos era um menino esperto e espirituoso. Foi educado pela mãe, Dona Rufina, desde seus cinco anos de idade, porque seu pai, Cristiano, viciado em drogas e álcool, os abandonou.

 

Até hoje Pedrinho não sabe o que aconteceu com Cristiano, dele tem vaga lembrança. Ele afirma que seu pai era um homem honesto e trabalhador, segundo conta sua mãe. Foi o vício o causador da desgraça da família.

 

Com o abandono do pai, seus avós paternos Leocádio e Dona Tereza, eram quem ajudavam a mãe a lhe manter, e não sabem por onde anda Cristiano que era filho único.

 

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Rufina, mulher honrada e de fibra, sentindo-se desamparada, não ficou à espera de auxílio. Buscou uma creche para o filho e como era muito organizada e respeitada na comunidade, logo arrumou emprego de diarista em várias casas. Assim sustentava o filho, assegurando-lhe o essencial para sobreviver.

 

Pedrinho, com oito anos de idade, sabia ler e escrever muito bem. Percebendo o sacrifício e a dedicação da mãe, foi em busca de trabalho, mas como era menor nada conseguia.

 

Passou então a fazer pequenos bicos, como ir ao mercado e fazer compra para os vizinhos, ajudar nos afazeres domésticos e até mesmo levar outras crianças para a escola mais próxima, poupando as mães desta tarefa.

 

Esperto, educado e trabalhador, Pedrinho era benquisto por toda a vizinhança que o aconselhava e o orientava para estudar com afinco e mirar-se no exemplo da mãe.

 

O abandono do marido tinha deixado a mãe de Pedrinho abalada e embora contasse com apoio dos sogros vislumbrava sempre uma nuvem negra em seu caminho. Leocádio e Dona Tereza não eram jovens, e o sumiço do filho os fez sofrer muito. Frequentemente adoeciam.

 

Haviam perdido muito dinheiro e tiveram gastos com o tratamento de Cristiano. Tratamento este que não teve resultado porque ele simplesmente desapareceu. Não se sabe se está vivo ou morto.

 

Foi o desgosto e a saudade que os levou tão prematuramente, aumentando ainda mais o idílio de Pedrinho.

 

Ele era um aluno aplicado, queridinho da escola e paparicado por amigos e professores, por ser espirituoso, brincalhão e prestativo.

 

Aos 15 anos, com mérito, Pedrinho concluiu o ensino fundamental e certo dia falou para Dona Rufina, sua mãe: “Agora sou adolescente, quero sair dessa vida”. Num primeiro momento, Rufina teve um sobressalto e imaginou que Pedrinho pudesse estar pensando em seguir pelo negro caminho do pai.

 

Percebendo o susto da mãe, Pedrinho afirmou: “Mamãe, a vovó e o vovô devem estar sorrindo de alegria lá no céu, afinal eu terminei o ensino fundamental. Estou com quinze anos, sei lidar bem com o computador e já posso começar a trabalhar”.

 

Dona Rufina acariciou a cabeça do filho e lembrou que o marido era um homem muito inteligente e enquanto o álcool e a droga não o tomaram, sua psique era muito valorizada.

 

Muitas vezes absorvida na saudade do marido e sem saber o que havia acontecido, Dona Rufina chorava. “Droga, maldita droga que roubou a minha felicidade, fazendo com que meu filho nem lembre do pai”, dizia aos prantos.

 

Uma noite, ao se deitar, Dona Rufina ensinou Pedrinho a amar Deus e respeitar, não só princípios espirituais como também éticos e morais. Antes que o sono viesse para afagar o cansaço do dia, em silêncio, ele orava e lamentava o fato ocorrido.

 

O amor que nutria por Cristiano era imenso. Ele alimentava a esperança de um dia reencontrá-lo, ainda vivo e com saúde.

 

Certo dia, ao chegar em casa, Pedrinho veio correndo e pulou no seu pescoço gritando: “Mamãe, mamãe, tenho uma grande notícia para lhe dar”. Esperando que Pedrinho lhe contasse que o pai tinha voltado, veio a notícia real. Pedrinho informou a mãe que iria fazer um teste para trabalhar na empresa do senhor Clodoaldo, no setor de TI.

 

A mãe que ignorava o que era TI, ainda emocionada, num misto de emoção e decepção perguntou: “O que é isso menino?”. “É para trabalhar com computador mamãe”, respondeu Pedrinho. “Como assim?”, perguntou a mãe. “Desenvolvi um projeto na escola, a diretora gostou muito e me encaminhou ao senhor Clodoaldo. Ele gostou e disse a ela que era para eu ir lá fazer um teste”.

 

Mesmo sabendo que o senhor Clodoaldo era um homem rude, e segundo afirmavam, arrogante e grosseiro, a mãe incentivou o menino.

 

No dia agendado, Pedrinho se vestiu adequadamente. Mesmo com roupas desgastadas e desbotadas, era o que Pedrinho tinha de melhor. Ao chegar na portaria da empresa, não precisou nem se apresentar. Era conhecido do Porteiro que o encaminhou até a sala do senhor Clodoaldo, onde foi recebido pela secretária.

 

“O senhor Clodoaldo estava te esperando. Você foi pontual, isso foi muito bom para você, o chefe não tolera atrasos”, disse Marina, a secretária. Pelo interfone, ela anunciou Pedrinho, o qual ouviu a voz gutural de seu Clodoaldo: “Mande esse guri entrar, quero conhecê-lo melhor”.

 

Marina então abriu a portam, pediu licença e indicou o local onde Pedrinho deveria sentar e aguardar.

 

O senhor Clodoaldo estava despachando quando Pedrinho entrou e sequer levantou a cabeça para cumprimentá-lo.

 

Pedrinho estava espantado com a suntuosidade da sala e dos quadros que enfeitavam as paredes, todos de honra ao mérito. Observava também, as belas paisagem pintadas a óleo emolduradas com muito esmero.

 

Como o senhor Clodoaldo não lhe deu atenção e já haviam decorridos uns dez minutos, Pedrinho passou a angustiar-se e se perguntar o que ele queria dele.

 

Logo veio uma pergunta de chofre e com certo ar de arrogância o que era uma das características de seu Clodoaldo: “Então guri, quer dizer que você é candidato a gênio da informática?”. Humildemente Pedrinho respondeu: “Eu apreendi na escola a lidar com o computador”.

 

“Na escola? Você não tem computador em casa?”, perguntou Clodoaldo. Pedrinho disse que não. “E como você fez esse trabalho nas horas de folga? O que seu pai faz na vida, moleque?”.

 

Pedrinho esmoreceu…

 

Continua na próxima semana

 

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