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Pedrinho e o senhor Clodoaldo – Parte 2

Intrigado com as perguntas de seu novo chefe, Pedrinho com humildade afirmou que gostava da área e que pretendia cursar Ciências da Computação, e o faria tão logo fosse possível.

 

Ele afirmou ainda que o que conhecia não era suficiente, pois na escola eram ministradas apenas as lições básicas e o campo de estudos é muito amplo. Clodoaldo ficou impressionado com a resposta do menino.

 

Em seguida Pedrinho respondeu a outra pergunta de Clodoaldo: “Senhor, eu não tenho pai, vivo com minha mãe”. “Como não tem pai? Você é filho do vento, por acaso?”

 

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Aborrecido, Pedrinho respondeu: “Eu afirmei ao senhor que tenho pai, mas vivo com a minha mãe, porque meu pai nos abandonou. Passava o dia todo na escola porque mamãe trabalhava para me sustentar”.

 

Pedrinho continuou: “Às vezes juntava latinhas para vender e prestava pequenos serviços aos vizinhos. Eles gostavam muito de mim porque éramos prestativos, e mamãe, quando meu pai foi embora, mostrou-se uma mulher de fibra e nunca trilhou por outros caminhos. Mamãe sempre foi uma mulher de respeito, honesta e me orientava como deveria agir para me tornar um homem de respeito”.

 

“Como você veio parar aqui?”, perguntou Clodoaldo. Pedrinho respondeu: “Emprestei dinheiro de meu vizinho, afirmando que se fosse contratado lhe pagaria, tão logo recebesse o primeiro pagamento”. A resposta parece não ter amolecido o coração de Clodoaldo, que secamente respondeu: “Vamos ver como vai ser seu trabalho aqui na empresa”.

 

O primeiro dia de trabalho de Pedrinho foi de apresentação. O menino humilde com roupas simples foi apresentado aos colegas como sendo um expert em computação, o que mexeu com o ego de Robertson que desempenhava a função de auxiliar, a mesma que seria usada e realizada por Pedrinho.

 

Robertson tinha cabelos negros, olhos verdes, porte atlético e aparentava ter vinte anos. Cursava Administração e sonhava em se tornar chefe do setor. Os demais colegas se compadeceram ao saber sobre a vida que Pedrinho levava, e de pronto se propuseram a auxiliá-lo em tudo que fosse útil e necessário.

 

Mirtes, uma bela loira de olhos azuis que aparentava ter 18 anos, com muita diplomacia, disse a Pedrinho que o dono da empresa era Clodoaldo, mas que o chefe era o Sr. Rudimar.

 

“Ele, tal qual Clodoaldo é meio bronco. Apesar disso, nós gostamos dele e já nos acostumamos com as grosserias”, disse. Robertson interveio para corrigir a colega e valeu-se daquele momento para intimidar o neófito colega. “De grosso ele não tem nada. É um homem exigente, inclusive na forma que a gente se veste, repara até nas roupas que vestimos”.

 

Tânia, a bela morena de olhos azuis desceu do salto e disse a Robertson com todas as letras. “Está com medo que Pedrinho seja mais prestigiado, por isso já está querendo intimidá-lo. Moço, recomendo a você que seja atencioso, autêntico em tudo que o diz e o que faz e esqueça esse paspalhão que tem ciúmes até da própria sombra”, falou diretamente para Pedrinho.

 

Assustando e ainda constrangido, Pedrinho observou entrar na sala um senhor muito bem trajado num sport chique que lhe caía muito bem. Ele veio diretamente a Pedrinho e disse: “Então você é o moço que vai estagiar conosco, tenho prazer em conhecê-lo, mas já lhe aviso, aqui primamos pela ética e pela transparência. Não adulamos ninguém. Quem pretende fazer carreira tem que ser autêntico, nós sabemos como valorizar o trabalho alheio”.

 

Com a humildade que lhe é peculiar, Pedrinho agradeceu a confiança nele depositada, perguntou quais seriam suas funções e desculpando-se, indagou sobre a jornada de trabalho diária e semanal e se existia sobreaviso.

 

Rudimar perguntou quanto Pedrinho almejava ganhar. Ele respondeu: “Sr. Rudimar, eu preciso trabalhar para me sustentar. Tirar um pouco para ajudar mamãe. Quando fui chamado não fiquei me perguntando o quanto ia ganhar, e nem mesmo onde iria morar. Meu desejo é mostrar minhas qualidades para ser valorizado, não tenho condições sequer de fazer proposta salarial. Eu preciso mesmo é trabalhar”.

 

Rudimar, que já havia conversado com Clodoaldo e sabia das dificuldades de Pedrinho, sem mais delongas afirmou: “Vai ganhar o piso convencionado e não vai precisar alugar um quarto. Próximo ao refeitório, temos um quarto de repouso. Ele servirá a você como residência por determinação do Sr. Clodoaldo.

 

Pedrinho com lágrimas nos olhos, tomado de emoção, agradeceu a gentileza de Rudimar e a compreensão do Sr. Clodoaldo e afirmou que tudo faria  para não decepcioná-los.

 

Rudimar, de forma rude, afirmou: “Você já está agradecendo? Não sabe nem como é o quarto e muito menos quanto ganhar”. Sobreveio a resposta: “Perdoe-me por lhe interromper. O que eu mais quero é trabalhar. Já sabia que o almoço e o café da manhã a empresa fornecia, agora ainda terei um quarto para dormir. Isso já me bastava, mas ainda tem esse tal de piso convencionado que vou ganhar. A primeira coisa que vou fazer é pagar o valor que emprestei do meu vizinho para vir até aqui e ajudar um pouco minha mãe”.

 

Rudimar indicou a mesa de trabalho de Pedrinho e lhe disse que quem iria repassar as instruções seria a senhorita Tânia. “Ela vai levá-lo ao Recurso Humanos, onde vão solicitar os documentos para devido registro”. Mirtes disse à Tânia “Pelo jeito ele é bom mesmo, já entrou na empresa sendo promovido, nunca vi disso”. Tânia respondeu: “Ele é um gatinho. Temos que cuidar, pois além de tudo, é muito diplomático e educado”.

 

Após conhecer todas as instalações da empresa, Pedrinho instalou-se na mesa que lhe foi determinada. Ele indagou qual era o programa utilizado pela empresa, ligou o computador e lançou nele sua senha secreta.

 

Quando ia perguntar sobre a primeira tarefa, seu Clodoaldo adentrou na sala e somente disse a Pedrinho: “Quero que você veja o que está ocorrendo no meu computador, aquela “m” não está funcionando, vamos ver se você é bom mesmo”.

 

Pedrinho então perguntou à Tania se poderia ausentar-se da sala. Antes mesmo que Tânia desse uma resposta, Rudimar falou que era ele quem mandava.

 

Passavam das 16 horas e o expediente terminava às 17 horas, o que deixou Pedrinho apreensivo. Percebendo o êxtase de Pedrinho, Sr. Clodoaldo falou: “Aqui está o computador. Já fiz tudo, mas não consegui salvar o que fiz, nem fechá-lo”.

 

De pronto, Pedrinho avaliou a máquina e interagiu com o sistema e percebeu que não era o programa que estava paralisado. Disse então ao Sr. Clodoaldo: “Meu senhor, a falha não é sua”. “Eu não falho!”, disse ele. Pedrinho desculpou-se e afirmou que problema do computador era a placa mãe.

 

O sinal de fim de expediente tocou, então Clodoaldo, para testar Pedrinho disse: “Tinha urgência, mas agora, deixa para amanhã”. Pedrinho respondeu: “Se tiver energia onde vou ficar, eu levo a máquina e vou tentar repará-la durante a noite, mas quem sabe o problema não seja grave e eu consiga resolver ainda hoje, afinal o senhor falou que tinha urgência, não?”!

 

Continua na próxima semana.

 

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