Pelo Estado

Construção Civil: “Ainda não é hora de soltar fogos de artifício”

 

Graduado em Direito pela Fundação de Ensino do Polo Geoeducacional do Vale do Itajaí (Fepevi), é Mestre em Gestão Estratégica das Organizações pela Escola Superior de Administração e Gerência (ESAG).

 

Helio Cesar Bairros é sócio proprietário da Construtora Ceranium Construção e Incorporação Ltda. As funções empresariais são exercidas ao mesmo tempo que as institucionais, uma vez que é presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon-GranFpolis) desde 2006, em mandato que deve se encerrar no próximo ano. Em parte desse período (2015 a 2018) ele também exerceu a presidência da Cooperativa da Construção Civil (Coopercon-SC).

 

Nesta entrevista exclusiva ele aponta dados positivos, mas não abre mão da cautela ao falar da retomada de ritmo da atividade.

 

ADI-SC/Adjori-SC – Qual sua avaliação do ano de 2019 para a Construção Civil?

Helio Cesar Bairros – Existe uma retomada em curso no setor da construção civil. Podemos dizer que essa retomada ocorreu no início do segundo trimestre de 2019.  Ela está baseada na queda do custo de capital. Já a demanda está começando a se apresentar de forma mais clara no final do segundo semestre. Muitas mudanças ocorreram como a queda na taxa de juros, mudanças no FGTS e outras propostas que alteraram o nosso sistema financeiro.

 

Todas essas mudanças seguem afetando o mercado imobiliário de maneira positiva.

 

ADI/Adjori – Qual a variação do Custo Unitário Básico (CUB/m²) no ano? O que essa variação indica?

Bairros – A variação do CUB no ano (até novembro) está em 4,63%. O CUB/m² é uma espécie de inflação de custo.  Indica o quanto mais caro está para o construtor fazer uma edificação.

 

ADI/Adjori – A região representada pelo Sinduscon GranFpolis pode ser considerada um indicativo do que ocorre no restante do estado?

Bairros – Não. Cada região do estado possui uma característica. Algumas regiões são voltadas para indústria, outros para turismo, algumas para comércio e assim por diante.  Até mesmo as características construtivas, como número de dormitórios, padrão de acabamento, número de andares etc., mudam conforme a região. Sobre o crescimento, todo o estado foi atingido de alguma forma pela instabilidade econômica que afetou o país.

 

Aos poucos, tanto a confiança dos consumidores, como a situação financeira do país está melhorando. A construção civil segue esta retomada.

 

ADI/Adjori – O setor é reconhecido como propulsor da economia, pela grande gama de outros setores e segmentos que movimenta. É possível medir isso?

Bairros – Sim, podemos verificar pelo encadeamento do setor. O gráfico (abaixo) indica a composição da cadeia produtiva da construção. Podemos verificar como a construção se segmenta e expande suas atividades para outros setores econômicos.

 

ADI/Adjori – Geração massiva de empregos também é uma característica do setor. Como foi o ano?

Bairros – Nesse momento, estamos em período de retomada da construção. O emprego está voltando, mais ainda não podemos considerar uma “geração massiva de empregos”.

 

Em Florianópolis, de janeiro a outubro de 2018, o emprego na construção cresceu 2,18%.

 

ADI/Adjori – Que projeções faz para o ano que vem?

Bairros – A nossa visão é mais de que ainda não é hora ainda de soltar fogos de artifício ou esperar que a construção carregue sozinha a retomada economia. Mas podemos dizer que o cenário no setor vem melhorando. Em 2019 houve avanços importantes, o horizonte se desanuviou, mas a estrada da recuperação é longa. Esperamos para 2020 uma continuação dessa retomada, e que as reformas contribuam para essa melhora.

 

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Boas novas

 

Projeção

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil brasileira deve crescer 2,0% no segundo semestre de 2019. Confirmada a expectativa, será o fim de um ciclo de cinco anos de quedas consecutivas no nível de atividade do setor.

 

Novas obras

O nível de atividade deve ser impulsionado pelo consumo de materiais, especialmente por pequenas empreiteiras e por obras domésticas. Esse segmento deve crescer 3,5% no segundo semestre deste ano. Já o segmento de grandes obras empresariais deve mostrar elevação de 1,0%.

 

 

Tempos de crise

A queda do PIB da construção em 2018 frustrou as expectativas do setor.  A faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, para a população de baixa renda, não reagiu em 2019 como se esperava.

 

Financiamentos

De janeiro a outubro foram aplicados R$ 62,3 bilhões com recursos da poupança na aquisição e construção de imóveis, elevação de 34% sobre igual período de 2018, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Acebip). Em 12 meses (nov/18 a out/19), os empréstimos de R$ 73,2 bilhões com fonte na poupança asseguraram alta de 37,3% em relação ao mesmo período anterior.

 

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