“Estamos muito otimistas para 2021”, diz novo presidente da Facisc

O empresário Sérgio Rodrigues Alves acredita num 2021 com bons números e aposta na retomada do crescimento, sobretudo com a chegada da vacina.

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Da sala da presidência da Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc), no prédio edificado na cabeceira continental das três pontes de Florianópolis, o empresário Sérgio Rodrigues Alves, 66 anos, além de ter uma visão privilegiada da Ilha de Santa Catarina, consegue enxergar um futuro promissor, apesar da pandemia.

 

Otimista por natureza, esse maratonista com mais de 30 provas no currículo e vários cargos de relevância na carreira – secretário estadual da Fazenda e presidente da Celesc, por exemplo – acredita num 2021 com bons números e aposta na retomada do crescimento, sobretudo com a chegada da vacina.

 

Desde 1º de janeiro ele ocupa o posto principal da entidade que congrega 34 mil empresas, quase 2 milhões de pessoas envolvidas e presente em quase todo o estado.

 

Com a confiança de quem está acostumado a se planejar para correr 42.195 metros, Alves acha que a Facisc tem papel importante neste processo. Sobre os seus planos e os desafios da pandemia, ele falou à coluna Pelo Estado em entrevista concedida no seu gabinete, de vista privilegiada.

 

Qual a sua expectativa em assumir a Facisc num cenário econômico e social com a pandemia e ao mesmo a vacina contra a covid-19?

Eu tenho percorrido o estado, conversando com várias associações em todas as regiões, e naturalmente com os empresários, e tenho observado um otimismo em relação a 2021. É diferente daquele otimismo de quem entra em um ano novo. Dessa vez eu sinto que é algo voltado mais para uma sustentação econômica. E o que vimos no último trimestre de 2020 é uma reação com sustentação na parte produtiva, na parte de consumo. E tudo isso com a pandemia. Por isso o grande divisor de águas é a vacinação. Estamos muito otimistas para 2021.

 

O senhor se mostra um otimista em relação ao Brasil, mas já disse que espera que esta retomada não seja um “voo de galinha”. Como é isso?

O “voo de galinha” tem a ver com nosso histórico. Nós não temos uma economia estável. Nós somos uma economia de momentos. Temos os altos e os baixos. A retomada econômica do último trimestre, na minha modesta visão, foi um pouco acima do que esperávamos. Tivemos falta de matéria-prima, acendeu a luz de alerta para a falta de gás, etc. Daí o “vôo de galinha”. Dá esse pulo e depois cai de novo. Mas no geral a expectativa é animadora. O que preocupa é uma possível inflação pois há uma projeção de 6%.

 

Para o Brasil crescer com segurança são necessárias as reformas tributária e administrativa. O senhor acredita nelas?

Eu elenquei 16 projetos no âmbito federal de suma importância para o desenvolvimento econômico do Brasil. Oito na Câmara e oito no Senado. Nesses, o que se destaca: reforma tributária, sem dúvida; reforma administrativa; um possível pacto federativo; a lei das ferrovias, da cabotagem, enfim. Existe um desafio muito grande no âmbito parlamentar. Eu tive a oportunidade de fazer parte de um grupo de estudos da reforma tributária, há 10 anos, quando era secretário da Fazenda. E não avançou. Então estamos 10 anos atrasados. E hoje temos a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, de natureza emergencial com a unificação do PIS e do Cofins, e a PEC 110, mais abrangente, que engloba todos os impostos. Qual a diferença entre as duas? A 55 tem aplicação em seis meses e a 110 em 10 anos e nosso problema é pra ontem. Eu prefiro aquele chavão que diz ‘onde passa um boi passa uma boiada’. Vamos fazer alguma coisa que mostra que não vai dar problema e depois vai complementando. Estou muito otimista para 2021 com relação às reformas.

 

Com as reformas pode sobrar dinheiro para investimentos em infraestrutura?

Eu estou apostando no programa de concessões para o governo fazer mais investimentos em infraestrutura. Por exemplo, nesse programa de concessões dos aeroportos, que engloba Navegantes e Joinville, entre outros, a expectativa é de um superávit de até R$ 6 bilhões. Depois vem as concessões do portos, de rodovias, há uma projeção de conseguir R$ 20 bilhões. Vai ter dinheiro. Esse é o caminho.

 

E Santa Catarina dentro deste cenário?

Existe uma relação desconfortável. Santa Catarina recolhe em torno de R$ 48 a 50 bilhões por ano e recebe de volta algo em torno de R$ 9 bilhões. Aí entra a necessidade do pacto federativo.

 

Há uma preocupação com o aeroporto de Navegantes. O edital de concessão não prevê a ampliação da pista, o que inviabiliza a chegada de aviões cargueiros de grande porte?

O aeroporto de Navegantes é uma bandeira da Facisc. É um problema sério que tem solução, pode ser resolvido. Vamos nos reunir com o presidente da Anac, e com o presidente da OAB/SC para discutirmos essa modelagem que não está contemplando nossos anseios e que pode favorecer Curitiba, por exemplo. Existe um encaminhamento já feito aos nossos representantes políticos.

 

De que forma o Programa Voz Única da Facisc pode ajudar os novos prefeitos?

Eu sou um fã do Voz Única. Aquele é um planejamento, dá um norte muito interessante e mostra as carências, as necessidades regionais e é uma grande oportunidade para você direcionar os teus esforços. Acho que os prefeitos estão sendo otimistas em relação ao Voz Única. Porque eles estão vendo que é uma ferramenta muito importante. O Voz Única é a voz do povo, os anseios da sociedade.

 

A sua gestão está norteada em cinco eixos: representatividade, integração e diálogo, capacitação, inovação, e soluções e projetos. Fale sobre eles?

Começo fazendo um histórico. Ser presidente da Facisc não estava nos meus planos. Depois da minha trajetória de empresário, de ter sido secretário de estado, presidente da Celesc, achava que já tinha dado a minha contribuição. Mas quando percebi o potencial que eu ainda poderia trazer para o associativismo de forma voluntária vi que tinha muito a contribuir. A Facisc está em 220 municípios, em todo o estado praticamente. São 34 mil empresas associadas. É um universo de 2 milhões de pessoas, 30% da população catarinense. E pensando nisso nasceram os cinco eixos:

 

1) Representatividade. Nós temos que pegar os pleitos da sociedade e levar para o âmbito federal, estadual e municipal através dos nossos representantes políticos.

 

2) Capacitação. Temos que profissionalizar, fazer um alinhamento dos objetivos do planejamento da Facisc com as associações, fazer a formação de novos líderes. A maioria das nossas empresas não têm planejamento de sucessão. Vamos criar uma escola de sucessão empresarial.

 

3) Inovação. Não falo apenas da inovação tecnológica, falo de inovação nos processos, de procedimentos, a inovação nos meios de comunicação como nossos associados.

 

4) Soluções e projetos. As soluções empresariais vão levar valor agregado para o associado. É onde ele vai poder olhar para a Facisc como um porto seguro.

 

5) Integração. Esse ponto é fundamental para promover oportunidades de negócios. Temos associados com excelentes produtos e uma gama de associados precisando desses produtos. Temos que ligar um ao outro.

 

Como o senhor espera entregar a Facisc ao final da sua gestão?

A minha vida sempre foi de planejamento. Sempre projetei o que queria para minha vida a cada 5, 10 anos. Por isso me tornei um maratonista com 33 maratonas disputadas no mundo inteiro. O que eu penso para 2023: realizar todos os projetos e o que eu não conseguir realizar ao menos deixar um legado de continuidade.

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